Como escolher livros infantis para cada fase da criança

Saiba como escolher livros infantis por fase, interesses e formatos, com sugestões brasileiras e estrangeiras para compartilhar em família.

Símbolo da Boom Clap, duas mãos batendo palmas

Escrito por
Equipe Boom Clap

João Aguiar, revisor de conteúdo da Boom Clap

Revisado por
João Aguiar

·

18 minutos
Adulto agachado ao lado de uma criança pequena, os dois de costas, diante de uma estante de livros infantis ilustrados; a criança pega um livro.

Você entra em uma livraria, encontra uma prateleira cheia de capas bonitas e pensa: “Qual desses livros vai funcionar aqui em casa?”.

Um promete ensinar as cores. Outro tem abas, texturas e sons. Há histórias com poucas palavras, livros sem texto e aqueles que parecem precisar de férias escolares para serem terminados.

Escolher pode dar trabalho. Mas um bom livro infantil não precisa cumprir uma lista de habilidades nem corresponder perfeitamente à idade escrita no anúncio. Ele precisa oferecer uma experiência interessante para aquela criança, naquele momento.

A idade ajuda a começar a busca. Os interesses, a linguagem, as ilustrações, o formato e a maneira como a leitura será compartilhada ajudam a decidir.

Também vale conhecer autores brasileiros e estrangeiros. Nossa literatura tem histórias, poesia, humor e imagens que merecem espaço ao lado de obras de outros países. A biblioteca fica mais interessante quando abre diferentes janelas.

Neste artigo, você encontra critérios para escolher e onze sugestões de livros. As indicações estão distribuídas pelo texto, conforme as possibilidades de participação. Não são uma tabela de desenvolvimento nem uma lista de compras obrigatória.

Porque montar um acervo pode ser uma descoberta aos poucos. Não precisa começar com uma mudança de endereço para acomodar os livros.

Aviso editorial: este artigo contém links de afiliado. Se você comprar por eles, podemos receber uma comissão, sem custo adicional para você. Todos os livros também podem ser encontrados em bibliotecas e acervos escolares.

A idade orienta, mas não escolhe pela criança

Duas crianças da mesma idade podem se relacionar de maneiras diferentes com um livro. Uma acompanha uma narrativa mais longa; outra prefere observar imagens, perguntar sobre detalhes e voltar às páginas anteriores.

Também muda bastante a situação de leitura. Um título pode ser difícil para ler sozinho e muito interessante quando um adulto lê junto.

Por isso, antes de escolher, considere:

  • Quem vai ler: a criança, o adulto ou os dois?
  • Como ela costuma participar?
  • Quais assuntos despertam curiosidade?
  • O formato permite um manuseio confortável?
  • O texto e as imagens oferecem algo além de informações óbvias?

No verbete “Modos de ler na infância”, do Glossário Ceale (UFMG), Heliana Brandão mostra que as crianças leem de modos diferentes conforme o suporte, o texto e o propósito da leitura. Essa diversidade ajuda a evitar um modelo único de comportamento leitor.

Uma criança não precisa ficar imóvel para que o encontro com o livro tenha valor. Como mostramos em O que a criança aprende brincando?, observar como ela participa costuma dizer mais do que qualquer tabela. Também não precisa abandonar um favorito porque passou da idade sugerida.

As fases apresentadas aqui são pontos de partida, não fronteiras. Um livro pode acompanhar diferentes momentos da infância e ganhar novos sentidos quando é relido.

1. Para bebês, observe o material e a leitura compartilhada

Com bebês, o livro entra em uma experiência acompanhada. O adulto mostra, lê, observa as reações e ajusta o encontro.

A Academia Americana de Pediatria (AAP, 2024) recomenda a leitura compartilhada desde o início da vida, destacando seu valor para as interações entre crianças e responsáveis e para o desenvolvimento da linguagem.

Na escolha do exemplar, considere tamanho, peso, acabamento e estado de conservação. Páginas resistentes podem facilitar o manuseio, mas não dispensam acompanhamento. Recursos destacáveis ou danificados merecem atenção.

Bebê no colo de um adulto tocando as páginas grossas de um livro cartonado com uma paisagem ilustrada.
Páginas resistentes ajudam no manuseio, mas não dispensam o colo por perto.

Um livro delicado também pode ser lido pelo adulto, sem ficar entregue à exploração livre do bebê.

Observe as imagens. Há contrastes perceptíveis? Os elementos podem ser vistos com facilidade? O livro oferece uma sequência interessante, uma brincadeira ou palavras que você queira compartilhar?

Entre as obras estrangeiras, Uma lagarta muito comilona, de Eric Carle, oferece uma narrativa visual sobre uma lagarta que come e se transforma. A Companhia das Letrinhas publica o título também em versão cartonada, com páginas mais resistentes; confira qual edição você está escolhendo, pois o formato faz diferença no manuseio. A edição cartonada lançada em 2025 também tem abas, então acompanhe o bebê de perto enquanto ele explora.

Você pode ler sem exigir que o bebê acompanhe tudo. Às vezes, uma imagem já rende um encontro. O compromisso é oferecer, não terminar a história a qualquer custo.

2. Para crianças pequenas, procure histórias que convidem à participação

Quando a criança começa a apontar, comentar, perguntar e antecipar acontecimentos, alguns livros podem render trocas especialmente interessantes.

Criança pequena sentada no tapete virando a página de um livro ilustrado com um gato, ao lado de um adulto.
Apontar, comentar, antecipar: a participação começa antes das palavras.

Observe repetições, situações reconhecíveis, humor e relações entre as páginas. Isso não significa restringir o acervo a textos curtos ou previsíveis. Você pode oferecer diferentes experiências e acompanhar a resposta.

Uma sugestão brasileira é Gildo, de Silvana Rando, publicado pela Brinque-Book. O elefante Gildo se apresenta como muito corajoso, mas existe algo que o deixa apavorado. Esse contraste pode sustentar a curiosidade durante a leitura compartilhada. Texto e ilustrações são da autora.

Entre as sugestões estrangeiras, Aperte aqui, de Hervé Tullet, transforma ações propostas nas páginas em uma brincadeira com formas e cores. O adulto pode ler os convites enquanto a criança participa, conforme seu interesse. A edição brasileira é publicada pela Ática; se estiver esgotada, vale procurar em bibliotecas ou sebos.

Não precisa transformar cada convite em uma instrução obrigatória. Se a criança quiser apenas observar, a leitura pode continuar.

E, quando ela pedir o mesmo livro novamente, respire. O setor de programação infantil da casa costuma trabalhar com poucas novidades e muitas reprises.

3. Considere as ilustrações como parte da história

Uma boa ilustração não está ali apenas para deixar a página bonita. Ela pode narrar, acrescentar sentidos, sugerir detalhes e criar relações com as palavras.

No verbete “Ilustração em livros de literatura infantil”, do Glossário Ceale, Luís Camargo distingue obras em que o texto conduz a narrativa, livros narrados principalmente por imagens e aqueles em que palavras e imagens contam juntas.

Ao folhear um livro, observe o que acontece de uma página para outra. As imagens repetem exatamente o texto ou acrescentam informações? Há detalhes que podem ser descobertos na releitura?

Criança apontando um detalhe na ilustração de uma paisagem com lago, barco e casa, em um livro aberto seguro por um adulto.
A criança pode perceber na imagem algo que o adulto não viu.

Uma sugestão brasileira para explorar essa relação é Da minha janela, de Otávio Júnior, com ilustrações de Vanina Starkoff (Companhia das Letrinhas). O narrador observa pessoas, animais e acontecimentos a partir de uma janela em uma favela do Rio de Janeiro. A obra oferece um olhar sobre as vidas que compõem aquele território.

Outro título brasileiro é Flicts, de Ziraldo, citado por Camargo como exemplo de livro em que texto e ilustração narram juntos, “a duas vozes”. É uma possibilidade para observar como cores, formas e palavras participam da leitura. A edição atual é da Melhoramentos.

A criança pode perceber algo que o adulto não viu. Vale deixar espaço para essa descoberta, sem entregar uma explicação pronta para cada imagem.

4. Não confunda livro sem palavras com livro simples

Um livro sem texto escrito pode pedir bastante atenção às imagens, às mudanças de cena e às relações entre acontecimentos.

Criança de costas apontando para a ilustração de uma casa à beira de um lago em um livro de imagens sem texto, aberto sobre a mesa.
Sem palavras não quer dizer simples: a história está nas imagens e nas mudanças entre as páginas.

No verbete “Livro de imagens”, do Glossário Ceale, Celia Abicalil Belmiro destaca a sofisticação e a complexidade dessas narrativas, que conquistam também jovens e adultos. Portanto, não são materiais destinados apenas a quem ainda não lê palavras.

Uma sugestão estrangeira é Espelho, de Suzy Lee, publicado no Brasil pela Companhia das Letrinhas. A obra acompanha uma menina que brinca diante do próprio reflexo e constrói sua narrativa por imagens, sem palavras.

Você pode começar olhando junto, sem narrar tudo imediatamente. Depois, comentar uma mudança ou perguntar o que chamou a atenção.

Não é necessário inventar uma frase para cada página. O silêncio também pode fazer parte da observação.

Esses livros podem acolher diferentes formas de participação: apontar, gesticular, comentar, comparar páginas ou acompanhar a sequência visual. A escolha deve considerar como tornar o encontro confortável para aquela criança.

E uma boa notícia: ninguém vai conferir se a história contada na segunda leitura foi igual à da primeira.

5. Na pré-escola, amplie as experiências sem exigir leitura independente

Para crianças em idade pré-escolar, o acervo pode reunir histórias, poemas, narrativas visuais e outros textos, acompanhados conforme a situação.

Criança em idade pré-escolar sentada em almofadas ao lado de um adulto que lê um livro ilustrado, com outros livros infantis espalhados no tapete.
Ouvir, escolher o próximo título, recontar: participar não depende de já ler sozinha.

A BNCC (Brasil, 2018) inclui experiências de escuta, contato com livros, escolha de títulos e reconto na Educação Infantil. Essas propostas não exigem que a criança já leia convencionalmente para participar.

Uma sugestão brasileira é Amoras, de Emicida, com ilustrações de Aldo Fabrini (Companhia das Letrinhas). A obra aborda reconhecimento e valorização da identidade negra, por meio de uma narrativa poética. Pode integrar um acervo que apresente diferentes pessoas, experiências e perspectivas.

Entre os títulos estrangeiros, Onde vivem os monstros, de Maurice Sendak, acompanha Max em uma viagem imaginária para a terra dos monstros. É uma possibilidade para crianças interessadas em fantasia e aventuras visuais, com leitura acompanhada conforme a necessidade. A edição brasileira atual é da Companhia das Letrinhas.

Observe como a criança reage aos temas. Uma história com monstros pode divertir alguém e incomodar outra pessoa. Você pode apresentar, escutar e ajustar.

Nenhum título precisa ser mantido a qualquer custo porque ganhou fama. A experiência concreta da criança merece atenção.

6. Para quem começa a ler, diferencie escutar uma história e ler sozinho

Durante a alfabetização, um livro pode ser escolhido para duas situações diferentes.

Na leitura independente, observe se a criança consegue acompanhar o texto com apoio compatível com a proposta. Na leitura feita pelo adulto, ela pode acessar histórias mais longas ou uma linguagem que ainda não lê sozinha.

Manter a leitura compartilhada evita limitar todo o acervo ao que a criança já consegue decifrar. O artigo Como apoiar a leitura e a escrita em casa traz mais ideias para essa fase, sem antecipar a alfabetização.

Uma sugestão nacional é Marcelo, marmelo, martelo, de Ruth Rocha. O personagem questiona os nomes das coisas e inventa outras maneiras de nomeá-las. O humor com a linguagem pode interessar a crianças que gostam de perguntar e brincar com palavras.

Confira a edição antes de comprar. Há o título apresentado isoladamente e a coletânea Marcelo, marmelo, martelo e outras histórias, publicada pela Salamandra. Elas não devem ser tratadas como exemplares idênticos.

Em vez de pedir que a criança leia tudo para provar que consegue, combinem uma forma de participação. Vocês podem alternar trechos ou deixar o adulto conduzir naquele dia.

Criança sentada à mesa apontando para a página de um livro ilustrado, com um adulto ao lado acompanhando a leitura.
Na leitura compartilhada, a criança acompanha e o adulto dá apoio quando ela precisa.

O livro não precisa funcionar como auditoria da alfabetização.

7. Para leitores com mais autonomia, escolha também pela curiosidade

Com mais autonomia, a criança pode expressar preferências e participar diretamente da escolha. Isso não obriga a abandonar livros ilustrados ou a ler apenas obras longas.

Considere assuntos, linguagem, ritmo e organização do texto. Observe também se ela quer uma leitura independente, compartilhada ou alternada.

Uma sugestão brasileira é Nuvem de areia, de Otávio Júnior e Anna Cunha, com ilustrações de Anna Cunha (Pequena Zahar). A notícia de que areia do Saara atravessa o Atlântico desperta a curiosidade de um menino e abre uma jornada de descobertas sobre o continente africano. A editora indica o livro a partir de 4 anos, então ele também funciona em leitura compartilhada com os menores; para quem já lê, pode interessar a curiosos sobre natureza, lugares e conexões entre diferentes partes do mundo.

Para quem se apegou ao elefante da seção 2, a última sugestão é A carta do Gildo, de Silvana Rando. Gildo e a turma escrevem cartas para a amiga Catarina, que se mudou, mas a bolsa do carteiro rasga e as cartas se espalham pela cidade. É uma história sobre saudade e amizade, que pode ser lida com um adulto ou de maneira independente, conforme a criança.

Essas indicações por fase são propostas editoriais de uso, não avaliações individuais nem idades mínimas universais.

A autonomia cresce com oportunidades de escolher, experimentar e pedir ajuda. Trocar um livro que não interessou também pode fazer parte desse processo.

8. Misture autores brasileiros e estrangeiros no acervo

A literatura brasileira não precisa ficar reservada a datas comemorativas. Pode fazer parte das leituras comuns da casa, ao lado de obras traduzidas.

Nesta seleção, os livros nacionais apresentam humor, poesia, linguagem visual, identidade, território e curiosidade. Os estrangeiros oferecem outras maneiras de construir narrativas e convidar à participação.

Também vale olhar além do nome do escritor. Ilustradores e tradutores participam da experiência que chega ao leitor.

Em uma obra traduzida, confira a edição em português e os créditos. Em um livro brasileiro, observe a relação entre texto, imagens e projeto gráfico.

Conhecer essas pessoas amplia o repertório da família e ajuda a perceber que livros são obras criadas, não produtos que nasceram prontos na prateleira.

Você não precisa explicar uma ficha técnica inteira antes de ler. Dizer quem escreveu e quem ilustrou já pode abrir uma conversa.

9. Use os interesses da criança como começo, sem fechar o repertório

Dinossauros, carros, animais ou aventuras podem facilitar o primeiro encontro. Mas um interesse não precisa definir todos os livros disponíveis.

Você pode combinar escolhas conhecidas com propostas diferentes: um favorito, uma história nova e um livro escolhido pela própria criança. Se ela anda contando tudo o que vê, um livro com números e quantidades pode conversar com as brincadeiras do artigo Matemática no dia a dia.

Observe a qualidade da obra, não apenas o assunto. Um título sobre o tema preferido pode ter imagens pouco interessantes ou um texto que não funciona naquele momento.

Leia uma amostra quando possível. Veja se você teria prazer em compartilhar aquela linguagem e se as páginas oferecem algo para explorar.

Graça Paulino, no verbete “Leitura literária” do Glossário Ceale, destaca a dimensão artística, imaginativa e prazerosa dessa prática, com respeito às preferências de cada leitor.

Por isso, nem todo livro precisa resolver um comportamento ou ensinar uma lição. A criança também pode ler porque a história é engraçada, curiosa ou bonita.

O personagem pode apenas viver uma aventura. Ele não precisa sair dela diplomado em bons modos.

10. Escolha pensando nas condições reais de participação

O melhor encontro depende também da forma de apresentar o livro.

Algumas crianças precisam de mais tempo para observar. Outras participam melhor com uma leitura curta, imagens aproximadas ou um ambiente com menos distrações.

É possível acolher comentários, gestos, apontamentos e outras formas de expressão. Não exija um único comportamento para reconhecer a participação.

Beatriz Cardoso, no verbete “Mediação literária na Educação Infantil” do Glossário Ceale, mostra como o adulto aproxima a criança do livro e abre conversas sobre personagens, escolhas do texto e linguagem.

Se um livro não funcionou, experimente outra situação antes de concluir que a criança não gosta de ler. Pode ser o momento, o assunto ou a maneira como a leitura foi proposta.

Ao mesmo tempo, respeite uma recusa. Oferecer outra oportunidade depois costuma ser mais produtivo do que disputar com a criança até a última página.

Antes de comprar, confira o exemplar e considere empréstimos

Os títulos deste artigo são sugestões para conhecer. Você não precisa adquirir todos.

Bibliotecas, acervos escolares e empréstimos podem permitir experimentar livros antes de decidir uma compra. O Instituto Brasil Solidário disponibiliza um catálogo de livros para pré-leitores, com autoria, ilustração, editora e sinopse, que pode ampliar a pesquisa por obras e autores.

Criança agachada escolhendo um livro em uma prateleira baixa de biblioteca infantil, ao lado de um adulto que segura dois livros.
Bibliotecas e empréstimos ajudam a experimentar antes de comprar.

Ao procurar um título, confira autoria, editora, formato e idioma. O mesmo livro pode existir em edições com características diferentes.

Em exemplares usados, observe conservação, páginas e integridade. Para crianças pequenas, o estado físico do material importa especialmente.

Também vale começar com poucos livros bem escolhidos. Um acervo pode crescer conforme vocês descobrem preferências e encontram novas possibilidades.

Releitura não é sinal de biblioteca insuficiente. No verbete “Leitura intensiva”, do Glossário Ceale, Ana Maria de Oliveira Galvão explica que voltar a uma história conhecida ajuda a criança a reconhecer detalhes e a perceber a estabilidade do texto escrito.

Você já pode fazer uma boa escolha sem acertar tudo de primeira

Se você observa a criança, considera as características do livro e oferece uma leitura acompanhada quando necessário, está construindo critérios úteis.

Não existe escolha perfeita garantida. Até um livro cuidadosamente selecionado pode não despertar interesse naquele dia.

Você pode guardar, retomar depois, trocar ou emprestar. A reação da criança também informa as próximas escolhas.

A idade orienta. A experiência com o livro ajuda a decidir.

Um bom começo é escolher algo que vocês queiram conhecer juntos, abrir a primeira página e deixar espaço para o que acontece depois. Talvez venha uma pergunta, uma risada ou um pedido de releitura.

E, se vier “de novo”, você já sabe: o clube do livro da casa aprovou a programação.

Perguntas frequentes

Preciso seguir exatamente a idade indicada no livro?

A indicação etária ajuda a começar a escolha, mas deve ser considerada junto com interesses, linguagem, formato e situação de leitura. Um livro pode funcionar com acompanhamento antes de ser lido sozinho. Isso não permite ignorar orientações de segurança sobre componentes ou materiais. Observe o exemplar e a participação da criança.

Posso ler para um bebê que ainda não fala?

Sim. A leitura compartilhada pode acontecer antes da fala e da leitura independente. O bebê pode observar, gesticular e reagir à voz do adulto. Escolha uma posição confortável, acompanhe seus sinais e ajuste a duração. Não é necessário terminar o livro nem exigir uma resposta para que o encontro aconteça.

Livro sem palavras serve apenas para crianças pequenas?

Não. Narrativas visuais podem oferecer relações complexas e interessar também a crianças maiores e adultos. Elas convidam a observar sequências, detalhes e mudanças entre páginas. Você pode olhar junto e conversar, sem precisar inventar uma frase para cada imagem. A ausência de palavras não determina uma leitura simples.

Devo comprar apenas livros de autores brasileiros?

Você pode valorizar a literatura brasileira e incluir obras estrangeiras traduzidas. Um acervo variado permite conhecer diferentes linguagens e perspectivas. Observe a qualidade de cada obra e sua relação com os interesses da criança. Confira também os créditos de ilustração e tradução, além da autoria do texto.

A criança escolhe sempre o mesmo livro. Devo trocar?

Você pode manter o favorito e oferecer outras opções, sem obrigar a substituição. A releitura permite reencontrar passagens e perceber detalhes. Deixe novidades disponíveis e acompanhe a curiosidade. Gostar de repetir não significa, por si só, falta de interesse pela leitura ou necessidade de comprar mais livros.

Quem já lê sozinho ainda pode ouvir histórias?

Sim. A leitura compartilhada pode continuar conforme o interesse da criança e da família. Ela permite acessar textos que talvez ainda sejam difíceis para ler sem ajuda e oferece oportunidades de conversa. Vocês podem alternar trechos ou deixar o adulto conduzir, sem transformar cada encontro em avaliação de desempenho.

Como escolher quando a criança participa de maneiras diferentes?

Observe o que facilita o encontro: imagens mais próximas, menos distrações, tempo para responder ou leitura em partes. Acolha gestos, apontamentos e outras formas de expressão. Considere interesses e conforto, sem exigir um único comportamento leitor. Se necessário, converse com a escola sobre adaptações que podem ajudar.

Referências para os critérios de escolha

Consultadas em 29 de setembro de 2026.

  1. CAMARGO, Luís. Ilustração em livros de literatura infantil. Glossário Ceale, UFMG.
  2. BELMIRO, Celia Abicalil. Livro de imagens. Glossário Ceale, UFMG.
  3. PAULINO, Graça. Leitura literária. Glossário Ceale, UFMG.
  4. CARDOSO, Beatriz. Mediação literária na Educação Infantil. Glossário Ceale, UFMG.
  5. BRANDÃO, Heliana Maria Brina. Modos de ler na infância. Glossário Ceale, UFMG.
  6. GALVÃO, Ana Maria de Oliveira. Leitura intensiva. Glossário Ceale, UFMG.
  7. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2018.
  8. INSTITUTO BRASIL SOLIDÁRIO. Acervo literário: livros para pré-leitores. Catálogo.
  9. AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Literacy Promotion: An Essential Component of Primary Care Pediatric Practice: Policy Statement. Pediatrics, v. 154, n. 6, 2024.

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As sugestões de uso por fase são propostas deste artigo.

Comentários

Uma resposta para “Como escolher livros infantis para cada fase da criança”

  1. […] veja se ela combina com os interesses da família. Para outras ideias de títulos por fase, o guia Como escolher livros infantis para cada fase da criança reúne sugestões brasileiras e […]

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