Resposta rápida: a Semana das Crianças é organizada por cada escola na semana do 12 de outubro, com dias temáticos e brincadeiras que dialogam com os direitos de aprendizagem da BNCC. Se a criança adoece no meio da programação, como aconteceu aqui em casa com uma laringite, a prioridade é seguir o atestado e as orientações médicas, e as brincadeiras podem ser retomadas em família quando ela estiver recuperada. Crianças de 3 meses a 3 anos que frequentam creche estão entre as mais suscetíveis à laringite viral, e esforço para respirar, estridor ou lábios arroxeados pedem atendimento imediato.
Aqui em casa, já estava tudo preparado para a Semana das Crianças: o pijama de Pikachu separado para a festa do pijama, a fantasia de Drácula esperando sua estreia no armário e uma programação especial organizada pela escola. Nossa família vivia aquela empolgação que acompanha as primeiras experiências dos filhos, porque o nosso caçula, com um ano e oito meses, está no seu primeiro ano de escola e, consequentemente, vivendo sua primeira Semana das Crianças.
Era tudo novidade, para ele, que está descobrindo o mundo, e para nós, que estamos redescobrindo tantas coisas através dos olhos dele. Só que, na quarta-feira, os planos mudaram. Em vez de continuar as comemorações na escola, fomos parar no hospital, onde veio o diagnóstico de laringite, acompanhado de medicação e três dias de atestado.
E o detalhe que parece ter saído de uma comédia familiar? Nosso pequeno foi atendido usando justamente o pijama de Pikachu que havíamos comprado para a festa da escola. Pelo visto, aquele pijama estava mesmo destinado a fazer parte dessa Semana das Crianças, ainda que de uma maneira completamente diferente da que imaginávamos.
É claro que, entre um pijama novo e a saúde do nosso caçula, não existe dúvida sobre a prioridade, mas quem vive a maternidade sabe que às vezes precisamos encontrar um pouquinho de humor até nos dias mais preocupantes. Foi dessa experiência que nasceu este artigo, não só para contar nossa história, mas para conversar sobre uma pergunta que considero fundamental: o que acontece quando a infância planejada encontra a infância real?
Neste artigo
Por que as escolas comemoram a Semana das Crianças?
Antes de contar como foram nossos primeiros dias, vale entender de onde surgiu essa comemoração. O Dia das Crianças foi instituído no Brasil pelo Decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924, assinado pelo presidente Arthur Bernardes, que definiu o 12 de outubro como a data da festa da criança. Muito tempo depois, o Estatuto da Criança e do Adolescente reconheceu o direito de brincar, praticar esportes e divertir-se como parte do direito à liberdade, e a Lei nº 14.826/2024 instituiu a parentalidade positiva e o direito ao brincar como estratégias de prevenção à violência contra crianças.
Uma coisa, porém, é a data comemorativa, e outra é a maneira como cada escola escolhe celebrá-la. A Semana das Crianças, com dias temáticos, cabelo maluco, fantasias, pijamas, atividades artísticas e brincadeiras tradicionais, não segue um calendário pedagógico nacional obrigatório, já que cada instituição organiza suas propostas de acordo com sua realidade, seu projeto pedagógico e a faixa etária que atende.
Quando bem planejadas, essas atividades têm muito mais significado do que parece. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabelece seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento na Educação Infantil:

As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, por sua vez, definem as interações e a brincadeira como eixos norteadores das práticas pedagógicas, o que significa que uma atividade aparentemente simples, como pular amarelinha ou participar de um dia temático, pode reunir experiências importantes para o desenvolvimento, como explicamos em o que a criança aprende brincando. A celebração ganha ainda mais sentido quando respeita as crianças, valoriza suas escolhas e não transforma a participação em obrigação, e foi justamente esse cuidado com as experiências que me encantou na programação da Semana das Crianças da escola.
Segunda-feira da Semana das Crianças: uma amarelinha, um giz e muitas memórias
A primeira proposta foi resgatar brincadeiras antigas, e a proposta nos encantou. Nosso caçula voltou da escola com uma lembrancinha delicada, um giz de lousa colorido acompanhado de uma mensagem de Feliz Dia das Crianças e de orientações para brincar de amarelinha, daquele tipo de presente que parece pequeno, mas carrega uma ideia enorme.

Foi impossível não lembrar das brincadeiras da nossa infância, da época em que desenhávamos no chão, inventávamos regras, contávamos quadrados e transformávamos qualquer cantinho em espaço de brincadeira, e percebi como, hoje, com tantas possibilidades tecnológicas, às vezes esquecemos o valor dos materiais simples.
Mas será que uma criança de um ano e oito meses consegue brincar de amarelinha? Da maneira tradicional, provavelmente ainda não, e tudo bem! Ela pode caminhar pelos quadrados, observar as cores, acompanhar os movimentos de um adulto, experimentar direções e descobrir o espaço, porque o brincar precisa acompanhar o desenvolvimento da criança, e não exigir dela uma habilidade antes que esteja preparada.
O que existe de pedagógico nessa brincadeira?
A pesquisadora brasileira Tizuko Morchida Kishimoto, da Universidade de São Paulo, é uma referência importante nos estudos sobre jogos, brinquedos e Educação Infantil, e seus trabalhos ajudam a compreender que o brinquedo e a brincadeira têm significados culturais e pedagógicos que vão muito além de ocupar o tempo. Lev Vygotsky também estudou o papel do brincar no desenvolvimento infantil, especialmente a relação entre imaginação, experiências sociais e aprendizagem, enquanto Maria Montessori destacou a importância de ambientes preparados, da exploração sensorial e da manipulação de materiais concretos, como contamos no guia sobre o método Montessori em casa.
É bonito perceber que uma brincadeira tradicional conversa com tantas discussões acadêmicas, porque aquilo que estudamos nos livros também acontece no quintal de casa, às vezes com um simples pedaço de giz.
Terça-feira: cachinhos alaranjados e a estreia no Dia do Cabelo Maluco
Na terça-feira da Semana das Crianças chegou o tão esperado Dia do Cabelo Maluco e, como toda família empolgada com uma estreia, a primeira do caçula e a segunda aqui de casa, entramos na brincadeira. Os cachinhos do menino ganharam um tom alaranjado, um visual diferente e divertido que combinava perfeitamente com a ocasião. Ficou uma graça! Era o primeiro Cabelo Maluco da vida dele, daqueles momentos simples que despertam nos pais uma vontade quase irresistível de fotografar tudo e guardar cada detalhe.
E, como já estava virando tradição naquela semana, ele voltou da escola com mais uma lembrancinha preparada com carinho: um bloquinho de colorir acompanhado de uma mensagem de Feliz Dia das Crianças. Mais uma daquelas pequenas surpresas que, para os adultos, podem parecer singelas, mas acabam ocupando um lugar especial na memória afetiva da família.

Dia do Cabelo Maluco: criatividade, descobertas e cuidados na primeira infância
O Dia do Cabelo Maluco é uma dessas propostas escolares que conseguem transformar algo cotidiano em uma experiência diferente. Os penteados criativos abrem espaço para a imaginação, a expressão individual e a participação das famílias, mas também nos lembram de que uma boa brincadeira não precisa ser elaborada, extravagante ou cara para ser especial.
Na Educação Infantil, sobretudo com os menores, o mais importante não é o resultado visual, mas a experiência vivida. Cada criança possui seu ritmo, suas preferências e suas sensibilidades, e uma atividade pensada para divertir precisa respeitar essas particularidades. Afinal, não existe obrigação de participar de uma proposta exatamente da mesma maneira que os colegas.
E, quando falamos de crianças tão pequenas, criatividade e segurança precisam caminhar juntas.
Durante a pesquisa para este artigo, encontrei uma orientação que considero importante compartilhar com outras famílias. A Resolução RDC nº 639/2022 da Anvisa estabelece requisitos para cosméticos infantis e prevê a maquiagem capilar destinada à coloração temporária dos cabelos para crianças a partir de três anos, com aplicação exclusivamente por adultos.
Essa informação merece atenção especialmente porque as comemorações escolares costumam reunir crianças de diferentes idades, e nem tudo o que é apropriado para os maiores também é indicado para os pequenos. Antes de escolher produtos ou acessórios, é fundamental verificar as recomendações de faixa etária, as condições de uso e os cuidados necessários.
Para menores de três anos, o mais seguro é privilegiar penteados criativos sem pigmentos, calor ou acessórios com peças pequenas que possam representar riscos. A diversão pode acontecer de muitas formas, inclusive com soluções simples que respeitem o conforto e o desenvolvimento de cada criança.
No fim, o que realmente importa não é quem apareceu com o cabelo mais diferente, mas as experiências, as descobertas e as lembranças que aquela manhã proporcionou. Por aqui, a terça-feira deixou cachinhos alaranjados, algumas fotografias e mais uma história para guardar da primeira Semana das Crianças do nosso caçula.
Quarta-feira: a Semana das Crianças virou uma visita ao hospital
A programação da escola seguiria normalmente, mas o nosso caçula viveu o restante daquela semana de outro jeito. Na quarta-feira ele precisou de atendimento médico, recebeu o diagnóstico de laringite e três dias de atestado, o que significou dar adeus à festa do pijama na escola e à expectativa de usar todas as roupas compradas, enquanto a fantasia de Drácula continuava esperando sua vez.

Como ele estava doente e eu já imaginava que não participaria da festa, resolvi que o menino pelo menos estrearia o pijama novo, e o resultado foi um atendimento médico com direito a Pikachu. Imaginem a cena, a mãe preocupada com a saúde do filho, um menino de pijama amarelo no colo e toda uma programação infantil sendo reorganizada, e me digam se a maternidade não tem um senso de humor próprio.
Depois do atendimento, seguimos as orientações médicas e voltamos toda a nossa atenção à recuperação, porque não importa quantas atividades maravilhosas estejam acontecendo na escola: se a criança está doente, o melhor lugar para ela é onde possa receber os cuidados de que precisa.
O que é laringite infantil e por que ela preocupa os pais?
A laringite é uma inflamação da laringe, a região da garganta que fica logo abaixo da faringe e que participa da produção da voz e da proteção das vias respiratórias. Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), na imensa maioria das vezes a laringite infantil é causada por vírus, como os parainfluenza, o vírus sincicial respiratório (o mesmo da bronquiolite) e o influenza, da gripe. Nas crianças pequenas, essa inflamação merece atenção especial porque as vias aéreas são naturalmente mais estreitas e, dependendo da intensidade do inchaço, a passagem do ar pode ficar difícil.
Quais são os sintomas da laringite infantil?
Segundo a SBP, o quadro costuma começar como um resfriado e, em dois ou três dias, pode evoluir para outros sinais.
Entre as manifestações mais comuns estão:

A SBP aponta que as crianças mais suscetíveis são as que têm entre 3 meses e 3 anos e frequentam creches ou têm irmãos mais velhos na escola, um retrato bem fiel da nossa casa neste momento. Vale reforçar, porém, que a laringite tem apresentações diferentes, e a descrição desses sintomas não significa que todos tenham ocorrido com o nosso caçula, nem identifica a causa específica do episódio dele.
Quando procurar atendimento médico com urgência?
Esforço intenso para respirar, com afundamento do pescoço e entre as costelas, estridor mesmo em repouso, lábios arroxeados ou acinzentados, sonolência fora do normal e dificuldade importante para engolir são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata, seja com o pediatra, seja no pronto-socorro.
Em quadros leves, o médico pode orientar acompanhamento em casa, com hidratação, observação e remédios quando necessários, e a SBP descreve o uso de corticoide em dose única nesses casos, sempre prescrito por quem atendeu a criança, enquanto os quadros mais graves podem exigir observação na emergência, nebulização com adrenalina e oxigênio. Não existe uma medicação única para toda criança com laringite, e a dose sempre deve ser definida pelo profissional conforme a avaliação.
Outra observação importante é que a inalação de vapor quente não é recomendada como tratamento caseiro, já que a Academia Americana de Pediatria afirma não haver estudos que comprovem sua eficácia e o serviço de saúde britânico (NHS) orienta não colocar a criança em ambiente com vapor nem fazê-la inalar vapor. O caminho mais seguro é seguir as orientações recebidas no atendimento, oferecer líquidos conforme a aceitação da criança, de preferência num copo de transição infantil que ela já conheça, observar a respiração e procurar nova avaliação diante de qualquer piora. Ter em casa um termômetro digital infantil também ajuda a acompanhar a febre com segurança e a passar informações precisas ao pediatra.
A chuva de outubro tem relação com a laringite?
Aqui no interior de São Paulo, outubro chegou com aquela mistura de primavera, chuva e mudanças no tempo, junto com a preocupação habitual das famílias com doenças respiratórias. E não é só impressão de quem olha pela janela, porque o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), na previsão publicada em setembro de 2026, indicou chuvas acima da média histórica em áreas de São Paulo durante outubro, e a primavera marca a transição entre as estações seca e chuvosa, especialmente no centro do Brasil.
Ainda assim, é preciso fazer uma distinção importante: a chuva não provoca diretamente uma laringite viral. Quem provoca a infecção são os vírus, e fatores como clima, circulação viral, convivência em ambientes fechados e contato próximo podem influenciar a transmissão de doenças respiratórias, sem que seja possível atribuir o diagnóstico de uma criança especificamente à chuva ou à mudança de temperatura. A própria SBP observa que a laringite viral é mais comum no outono e no inverno, embora possa aparecer em outras épocas do ano.
Por isso, o mais importante é manter os cuidados de prevenção, acompanhar os sintomas e fugir de explicações simplistas, lembrando que tosse nem sempre vem do frio, que rouquidão pode ter outras causas além da laringite e que crianças com sintomas parecidos podem ter evoluções bem diferentes.
Criança doente deve ir à escola para não perder a Semana das Crianças?
É compreensível que a família fique frustrada quando a criança adoece justamente durante uma programação especial, mas insistir na presença escolar pode atrapalhar a recuperação e aumentar a chance de transmissão de uma infecção respiratória. O CDC, órgão de saúde pública dos Estados Unidos, orienta que pessoas com sintomas de infecção respiratória fiquem em casa e só retomem as atividades quando houver melhora geral por pelo menos 24 horas e ausência de febre, sem uso de antitérmicos, nesse período. No caso das crianças pequenas, também é preciso respeitar as orientações médicas, os atestados e os critérios da escola.
Aqui foram três dias de afastamento, e não existe festa que justifique desrespeitar uma orientação médica, porque a escola continuará existindo, outras comemorações virão e nosso pequeno ainda terá muitas oportunidades de brincar, aprender e participar.
O que os estudiosos da infância têm a dizer sobre tudo isso?
Enquanto organizava essa experiência para compartilhar aqui no Boom Clap, pensei numa questão que acompanha nossa experiência familiar e as reflexões sobre a infância: muita gente imagina que as teorias educacionais pertencem apenas às universidades, como se Piaget, Vygotsky, Montessori ou Kishimoto estivessem muito distantes da realidade de uma família comum. Basta observar uma criança brincando, porém, para perceber que muitos dos fenômenos investigados por esses estudiosos acontecem todos os dias dentro de casa.
A American Academy of Pediatrics, em um relatório científico sobre o poder do brincar, destaca como as interações lúdicas contribuem para habilidades cognitivas, emocionais, linguísticas e sociais, e o UNICEF, em parceria com a LEGO Foundation, publicou um documento sobre aprendizagem por meio do brincar que ressalta sua importância na primeira infância. Já o Center on the Developing Child, da Universidade Harvard, explica a relevância das interações responsivas entre adultos e crianças, conhecidas como serve and return, ou interações de ação e reação, que acontecem quando a criança aponta para um objeto e o adulto responde, quando os dois trocam olhares ou dividem uma brincadeira simples.
Isso não significa que toda situação precise virar aula, muito pelo contrário, já que o brincar espontâneo tem valor próprio, e é justamente por isso que a família não precisa transformar cada momento numa atividade com objetivos, resultados e avaliações.
Educar também acontece em casa
Apresentar uma cor ao nosso caçula, deixá-lo explorar um material, acompanhar uma brincadeira ou ver a irmã inventar uma história para ele são oportunidades de convivência e aprendizagem, não porque estejamos reproduzindo formalmente um método pedagógico, mas porque a educação também acontece nas relações familiares. O mesmo vale para os imprevistos, já que uma criança doente precisa de acolhimento, descanso e cuidado, e não de demonstrar habilidades ou participar de atividades para que seu desenvolvimento continue sendo respeitado, e talvez uma das lições mais bonitas desta Semana das Crianças seja justamente compreender que cuidar também é educar.
7 brincadeiras para fazer no Dia das Crianças em casa
Com a programação da Semana das Crianças interrompida, comecei a imaginar como aproveitar algumas dessas ideias em família. Aqui em casa material de pintura é o que não falta, o caçula tem uma irmã adolescente que adora participar das nossas invenções (e tem a própria fantasia de Pikachu) e, claro, a fantasia de Drácula segue esperando sua estreia. A proposta não é compensar tudo o que ele perdeu, e sim oferecer possibilidades para quando ele estiver totalmente recuperado, disposto e liberado para retomar as atividades, e você encontra mais ideias em brincar sem telas: 10 ideias fáceis para fazer em casa.
1. Amarelinha para pequenos exploradores
A ideia é aproveitar a inspiração da escola e desenhar uma amarelinha adaptada com giz de calçada jumbo, que é mais grosso e fácil de segurar, num espaço seguro. Para os menores, quadrados grandes permitem caminhar pelo percurso, observar as cores e experimentar movimentos, enquanto com as crianças maiores as regras tradicionais entram na brincadeira, garantindo movimento, exploração do espaço e interação para todas as idades.
2. Ateliê de pintura em família
Essa é uma das atividades que mais gosto de organizar: estendo um rolo de papel kraft sobre uma superfície protegida, ofereço poucas cores de tinta guache atóxica por vez, junto com pincéis de cerda grossa e um avental infantil impermeável, e deixo a criança experimentar, porque a pintura não precisa representar uma casa, uma flor ou um personagem e pode ser simplesmente uma descoberta. Para bebês e crianças pequenas, é indispensável conferir a recomendação etária da tinta, evitar materiais que possam provocar ingestão acidental, engasgo ou irritação e manter supervisão o tempo todo.

3. Festa dos Pikachus
A proposta é simples e aproveita o que já temos em casa, com o caçula de pijama de Pikachu, a irmã com a fantasia dela e uma pequena brincadeira de personagens com música, movimentos leves e muitas fotografias, sem competição, grande produção ou necessidade de comprar mais nada. Afinal, esse pijama merece uma segunda chance depois da estreia no hospital!
4. A aventura do pequeno Drácula
Minha ideia é aproveitar a fantasia que comprei e inventar uma pequena história, seja a de um Drácula que procura brinquedos escondidos e encontra dois Pikachus pelo caminho, seja a de um vampirinho que troca o castelo por uma sala cheia de brinquedos, e uma cabana infantil dobrável ou um castelo feito com caixas, como mostramos em brincar com sucata, deixa o faz de conta ainda mais divertido. Com crianças pequenas, o faz de conta começa com ações bem simples e com a participação dos adultos, e é importante retirar acessórios que possam se soltar, peças pequenas e capas que tragam risco de enroscar ou apertar o pescoço.

5. Caça ao tesouro do Toy Story
Como o caçula adora Toy Story, dá para esconder bonecos grandes do Toy Story, adequados para a idade, atrás de uma almofada ou dentro de uma caixa aberta, enquanto a família ajuda a procurar e comemora cada descoberta. Para crianças maiores vale criar pistas e pequenas missões, e para os menores basta esconder os brinquedos em lugares visíveis e seguros.
6. Nossa pequena oficina de cores
A proposta é separar brinquedos amarelos, vermelhos e azuis, como blocos de montar grandes e potes de encaixe coloridos, e deixar a criança explorar livremente, sem transformar a brincadeira em prova. Se ela preferir empilhar, transportar, comparar ou inventar outro uso, isso também faz parte da experiência, porque a exploração vale mais do que o acerto.

7. Cinema de histórias, sem ligar a televisão
A irmã mais velha escolhe um livro, montamos um cantinho aconchegante com almofadas, inspirado na nossa biblioteca em casa, e o caçula acompanha do jeito que quiser, de preferência com livros infantis cartonados, que resistem bem às mãozinhas curiosas, ou com histórias inventadas usando os brinquedos e personagens favoritos dele.

Como a Organização Mundial da Saúde recomenda evitar telas antes dos dois anos, orientação retomada pela Sociedade Brasileira de Pediatria em seu documento de 2026, histórias contadas, livros ilustrados, músicas e brincadeiras compartilhadas são ótimas alternativas para essa faixa etária, e, se ele ainda estiver cansado durante a recuperação, a melhor atividade continua sendo descansar, já que nenhuma dessas propostas é obrigatória.
Antes de comprar: o que realmente vale a pena ter em casa?
Uma das coisas que temos aprendido com a vida em família é que não precisamos transformar cada comemoração numa lista enorme de compras, já que dá para reaproveitar roupas, adaptar brincadeiras e usar materiais que já existem em casa, mas alguns itens servem em muitas situações além do Dia das Crianças.
Pijamas temáticos participam das festas da escola e também da rotina, desde que tenham tecido confortável, tamanho adequado e não atrapalhem os movimentos, enquanto as fantasias estimulam o faz de conta em qualquer época do ano, com atenção à faixa etária, ao comprimento das capas e aos acessórios pequenos. Giz, tintas e pincéis apropriados para a idade rendem atividades artísticas o ano inteiro, os livros com imagens, textos curtos e páginas resistentes acompanham a criança em muitas fases e os blocos de montar grandes oferecem inúmeras possibilidades de exploração, sempre no tamanho certo para a faixa etária, como detalhamos no guia de brinquedos por idade.
Na hora de escolher brinquedos, é essencial observar a indicação de idade e as informações de segurança, e o Inmetro lembra que, na faixa de zero a três anos, não são permitidos brinquedos com partes pequenas que possam ser engolidas. Vale lembrar também que o mais caro nem sempre é o mais interessante, porque às vezes o brinquedo novo fica de lado enquanto a criança se diverte com uma caixa vazia, e quem nunca?
Quando a Semana das Crianças perfeita não acontece
Ainda estamos vivendo essa história: na segunda-feira nosso caçula conheceu uma brincadeira tradicional, na terça participou do seu primeiro Dia do Cabelo Maluco, na quarta fomos ao hospital e agora nossa principal preocupação é que ele se recupere. Espero que no fim de semana possamos fazer alguma coisa juntos, quem sabe uma oficina de pintura, uma pequena festa de Pikachus ou, finalmente, a estreia da fantasia de Drácula, e, se a programação precisar ser adiada outra vez, tudo bem. Para quem mora perto da gente e já está com a criança recuperada, o nosso guia do Dia das Crianças 2026 em Jundiaí e região reúne passeios para o feriado.
O que não quero é transformar a infância dos meus filhos numa sequência de eventos que precisam acontecer exatamente como foram planejados. A primeira Semana das Crianças do meu caçula não foi como imaginei, mas teve brincadeira, descobertas, lembrancinhas preparadas com carinho, fotografias, um cabelo laranja e um pijama amarelo que ganhou uma história bastante inusitada, além de preocupação, atendimento médico, mudança de planos e aprendizado, e tudo isso faz parte da vida real, que também merece ser contada.
Entre teorias pedagógicas, recomendações médicas e experiências familiares, existe algo que nenhum planejamento consegue substituir, que é a presença. Nosso pequeno Pikachu ainda tem muito para brincar, mas, por enquanto, sua missão mais importante é ficar bem, e a fantasia de Drácula continua guardadinha, porque por aqui a brincadeira ainda não terminou. 💛
Perguntas frequentes
Quando acontece a Semana das Crianças nas escolas?
Normalmente na semana que antecede ou inclui o 12 de outubro, Dia das Crianças, mas não há um calendário nacional obrigatório, e cada escola define datas, temas e atividades conforme seu projeto pedagógico e a idade das turmas.
Criança com laringite pode ir à escola?
O ideal é seguir o atestado e a orientação do pediatra, e, como a laringite infantil costuma ser causada por vírus, ficar em casa ajuda na recuperação e reduz a transmissão para os colegas, com a volta acontecendo quando houver melhora geral e ausência de febre sem uso de antitérmicos.
Laringite em criança é contagiosa?
A inflamação em si não passa de uma pessoa para outra, mas os vírus que costumam causá-la, como parainfluenza, sincicial respiratório e influenza, são transmissíveis, por isso lavar as mãos e evitar aglomerações durante a doença faz diferença.
A partir de que idade a criança pode usar tinta colorida no cabelo?
Pela RDC nº 639/2022 da Anvisa, a maquiagem capilar infantil é prevista a partir dos três anos, com aplicação exclusiva por um adulto, e produtos infantis em aerossol não são permitidos, então antes disso o mais seguro é apostar em penteados criativos sem pigmentos, calor ou peças pequenas.
Quais sinais de laringite exigem ir ao pronto-socorro?
Esforço para respirar com afundamento do pescoço ou das costelas, estridor em repouso, lábios arroxeados, sonolência anormal e dificuldade importante para engolir pedem avaliação médica imediata.
Como brincar de amarelinha com bebê ou criança de até dois anos?
Desenhe quadrados grandes e coloridos e deixe a criança caminhar, engatinhar ou pisar nas cores no próprio ritmo, com um adulto mostrando os movimentos, sem cobrar pulos nem regras, porque nessa idade o valor está na exploração do espaço e na interação.
Que brincadeiras fazer no Dia das Crianças com criança pequena em casa?
Pintura com tinta atóxica em papel grande, festa de pijama ou de fantasias, caça ao tesouro com brinquedos grandes, separação de objetos por cores e sessões de histórias com livros cartonados são opções simples, baratas e adequadas para os pequenos, sempre com supervisão.
Referências e leituras para aprofundamento
As fontes abaixo fundamentam as informações históricas, educacionais, médicas e de segurança apresentadas neste artigo, e as experiências familiares relatadas são pessoais.
- BRASIL. Decreto nº 4.867, de 5 de novembro de 1924. Institui o dia 12 de outubro como festa da criança. Câmara dos Deputados.
- BRASIL. Lei nº 8.069/1990. Estatuto da Criança e do Adolescente, artigo 16, inciso IV. Texto oficial.
- BRASIL. Lei nº 14.826/2024. Institui a parentalidade positiva e o direito ao brincar. Texto oficial.
- MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional Comum Curricular. O lugar do lúdico na Educação Infantil. Caderno de práticas da BNCC.
- CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Resolução CNE/CEB nº 5/2009. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil, art. 9º. Texto da resolução.
- KISHIMOTO, Tizuko Morchida. O jogo e a educação infantil. Pro-Posições, v. 6, n. 2, p. 46-63, 1995. Repositório USP.
- KISHIMOTO, Tizuko Morchida et al. Jogo e letramento: crianças de 6 anos no ensino fundamental. Educação e Pesquisa, 2011. SciELO.
- VYGOTSKY, L. S. Play and Its Role in the Mental Development of the Child. Soviet Psychology, v. 5, n. 3, p. 6-18, 1967. Artigo acadêmico.
- ASSOCIATION MONTESSORI INTERNATIONALE. Montessori Environments. Fundamentos dos ambientes Montessori.
- UNICEF; LEGO FOUNDATION. Learning Through Play. 2018. Relatório.
- NAEYC. Developmentally Appropriate Practice: Position Statement. 2020. Orientações para práticas adequadas ao desenvolvimento.
- YOGMAN, Michael et al. The Power of Play: A Pediatric Role in Enhancing Development in Young Children. Pediatrics, 2018. Publicação científica.
- HARVARD UNIVERSITY. Serve and Return: Back-and-Forth Exchanges. Center on the Developing Child.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Guidelines on Physical Activity, Sedentary Behaviour and Sleep for Children Under 5 Years of Age. 2019. Diretrizes da OMS.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Milestones by 18 Months. Marcos do desenvolvimento.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Uso saudável de telas, tecnologias e mídias nas creches, berçários e escolas. Atualização 2026. SBP.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Laringites virais. Departamento Científico de Otorrinolaringologia. 2023. Orientações para famílias.
- AMERICAN ACADEMY OF PEDIATRICS. Croup in Young Children. HealthyChildren.org.
- NATIONAL HEALTH SERVICE. Croup. NHS.
- INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Primavera 2026: confira a previsão para a estação. Set. 2026. INMET.
- INSTITUTO NACIONAL DE METEOROLOGIA. Outubro: como será o clima no Brasil? 25 set. 2026. INMET.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Preventing Spread of Respiratory Viruses When You Are Sick. CDC.
- AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Resolução RDC nº 639, de 24 de março de 2022. Legislação sanitária.
- INMETRO. Quais são as faixas etárias em brinquedos? Inmetro.
- CONAR. Guia de Marketing e Publicidade por Influenciadores Digitais. 2026. CONAR.
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Nota editorial: este artigo reúne experiência familiar e informações públicas de fontes oficiais e científicas e não substitui a avaliação pediátrica individual. O diagnóstico, o tratamento e as orientações de afastamento da criança citada foram definidos pelos profissionais responsáveis pelo atendimento.



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